segunda-feira, 4 de maio de 2015

Jornalistas internacionais criticam reportagem da revista Veja

Matéria que tentou associar Dilma e Lula a esquema de corrupção foi rechaçada por jornalistas dentro e fora do país pela falta de credibilidade e a inconsistência das denúncias com fins eleitorais.


A reportagem de capa da revista Veja teve repercussão internacional e gerou indignação entre jornalistas pela falta de apuração e compromisso ético com a verdade.

 Alex Cuadros, que já trabalhou para a Bloomberg, publicou no Twitter uma mensagem criticando a publicação. “Acabei de ler a história da Veja alegando que Lula e Dilma sabiam do esquema da Petrobras. Não cita nenhuma evidência, e a testemunha em delação premiada não diz como sabe disso”, escreveu.

O também jornalista Jon Lee Anderson, da revista New Yorker, respondeu: “Isso é clássico da Veja, que publica calúnias e opiniões como se fossem fatos. Uma revista tóxica com uma linha editorial que passa bem longe do jornalismo”. Jon Lee é autor do livro “Che Guevara, uma biografia” e foi duramente criticado pela revista em 2007. À época, ele disse que o texto publicado pela Veja fingia ser imparcial, mas esquecia de critérios fundamentais de um “jornalismo honesto”, como mostrar pelo menos “um esforço de objetividade”, conforme escreveu na ocasião.

A reportagem a que eles se referem gerou polêmica por ter sido realizada com o objetivo claro de desestabilizar as eleições presidenciais a favor do candidato tucano Aécio Neves.

O presidente do PT, Rui Falcão, lembrou que o partido entrou com representações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no Ministério Público Eleitoral (MPE) e no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a revista. “Nós não podemos tolerar que continue a ter tanta tentativa de interferência no processo eleitoral através de matérias caluniosas, mentirosas, totalmente sem fundamentos e sem fontes”, disse em entrevista na última semana.

Ministro Dias Toffoli é citado na PF por relação com sócio da OAS.

 O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli,  foi citado em um relatório da Polícia Federal sobre a Operação Lava Jato, devido uma suposta proximidade do sócio e presidente da OAS, Léo Pinheiro. A reportagem da revista Veja deste sábado (2), indica que uma menção a Toffoli apareceu em uma troca de mensagens de Pinheiro com Benedito Gonçalves, ministro do Supremo Tribunal de Justiça. Na época eles combinavam a ida ao aniversário de Toffoli, dois dias mais tarde. 


O empresário foi preso horas após o diálogo, por envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras. Pinheiro foi solto com outros oito envolvidos no esquema após um julgamento dividido no STF, com Toffoli votando a favor da liberação proposta pelo ministro Teori Zavacki. 

As menções foram transcritas em um relatório da PF com a análise dos dados das mensagens encontradas no smartphone de Léo Pinheiro. Além da conversa com Gonçalves, outras três menções a Toffoli são citadas. A primeira, em 2012, um funcionário da OAS escreveu para Pinheiro: “Aniversário de Toffoli dia 15. Gosta de um bom whisky”. 

“As mensagens demonstram uma proximidade entre Léo Pinheiro e Benedito Gonçalves, bem como a proximidade deste com o ministro Toffoli”, apontou o relatório da PF. 

Dias Toffoli reconheceu à revista que conhece Pinheiro, mas não tem intimidade com ele.